O FILME: Apesar de não possuir nenhum elemento original em comparação aos seus similares, "A Guerra de Hart" é mais um filme que retrata um fato durante a Segunda Guerra Mundial, e tem como foco principal a relação de um grupo de prisioneiros de um campo de concentração nazista localizado na Bélgica, no ano de 1945. | Ao contrário do que se possa imaginar, o Hart do título não é interpretado por Bruce Willis (o grande destaque do elenco), mas sim pelo novato Colin Farrell, que pode ser visto no último grande filme de Steven Spielberg, "Minority Report", como o policial que não dá trégua para o herói Tom Cruise. Hart é um oficial de gabinete que nunca esteve em uma batalha, mas que ao se oferecer para dar carona a um soldado, cai em uma emboscada, sendo enviado para um campo de prisioneiros comandados por um general linha dura, um soldado que deseja fugir do campo de concentração, interpretado por Bruce Willis. |
Durante sua estadia no campo, Hart irá deixar de ser um rapaz para transformar-se em um homem, aprendendo o verdadeiro significado das palavras amizade, responsabilidade e sobretudo, honra. O diretor Hoblit já havia realizado bons filmes anteriormente, dentre eles, um dos melhores filmes de tribunal dos anos 90, "As Duas Faces de um Crime". "A Guerra de Hart" também tem um julgamento, e é neste que se encontra talvez o único elemento original do roteiro, pois é raro ver produções de guerra apresentarem um julgamento, ainda mais dentro de um campo de concentração e realizado para julgar um prisioneiro que assassinou outro, sem execução sumária. | Se o filme possui um grande erro, é a escalação de Bruce Willis como o líder dos prisioneiros, pois a sua presença parece anunciar que teremos cenas de ação durante o filme, ou ainda um grande clímax. Mas todos somos iludidos, apesar do seu começo apresentar um interessante e muito bem realizado ataque de aviões a uma estação ferroviária, que lembra vagamente o início do excelente "Círculo de Fogo". Outro ponto fraco do longa é ter um soldado negro como réu do julgamento, o que só serve para trazer à tona todos os clichês sobre racismo que se possa imaginar em uma produção americana, e definitivamente quem já conferiu o filme jurídico "Tempo de Matar" vai se irritar. | |
Apesar de em momento algum empolgar ou emocionar seu espectador, "A Guerra de Hart" é um bom programa, bem realizado tecnicamente e bem dirigido por Hoblit, que tem aqui seu filme mais fraco, mas mesmo assim superior à grande maioria dos enlatados americanos que dominam as telas dos cinemas. O DVD: Seguindo o mesmo padrão de todos os recentes lançamentos da Fox, o DVD de "A Guerra de Hart" é um produto originalmente da MGM que chega ao mercado nacional direcionado apenas para as locadoras e que, após um determinado período, será disponibilizado para o consumidor final. Por se tratar de um título da MGM, não possui seus extras legendados. | Começarei falando sobre o menu, animado e musicado, mesclando algumas das poucas cenas de ação do filme com um dos melhores trechos da trilha sonora composta por Rachel Portman, abrindo o disco com chave de ouro. O grande destaque do produto é, sem dúvida, a ótima qualidade de imagem, e mesmo aqueles que já não se impressionam mais com o avanço que o DVD trouxe neste quesito, hão de se deslumbrar com a bela fotografia do longa, aqui ressaltada pela qualidade digital. Quanto ao som os elogios vão para sua clareza, acentuada principalmente nas cenas de ação, como a do ataque dos aviões no início do filme. |
Dentre os extras, temos o trailer de cinema do filme, de outro lançamento da MGM no gênero, o fracassado "Códigos de Guerra" e de duas séries exibidas no canal da MGM, "Stargate" e "Jeremiah" (do mesmo criador da cult "Babylon 5" e inédita por aqui). O disco traz ainda uma galeria de fotos, algumas cenas excluídas (nenhuma relevante) que podem ser assistidas com ou sem comentários do diretor e dois comentários em áudio, um com a presença do diretor, do editor, do escritor e de Bruce Willis e a outra reservada apenas para o produtor David Foster. Nitidamente se percebe que este é um produto que procura ter nas faixas de comentário seu principal material especial, mas como ambas não foram sequer legendadas, aquilo que era para ser ouro, vira pedra, grande erro da distribuidora nacional, que desperdiçou a oportunidade de oferecer aos consumidores um produto melhor. Outro ponto negativo neste lançamento é a falta de um Making Of, que poderia conter informações sobre o procedimento dos julgamentos em campos de concentração, dirigidos pelos próprios prisioneiros de guerra. Mas mesmo que houvesse um Making Of, certamente ele não seria legendado, logo sua falta não é tão sentida. | |
Outro detalhe negativo é que a capinha não esclarece que o DVD possui idioma e legenda em Francês. Espera-se que a Fox inicie logo o processo de legendagem dos títulos MGM, pois mesmo sendo um fracasso, o filme "Códigos de Guerra" tem tudo para fazer bonito em venda e locações futuramente. O que preocupa também aos colecionadores é o descaso em legendar ótimos títulos para coleções, como as recentes edições especiais de "Platoon" e do esperado "Robocop", o que, sem dúvida, causa indignação de todos aqueles que, como eu, adotaram o formato DVD como a melhor opção para se colecionar seus filmes favoritos. A Guerra de Hart, um filme de Gregory Hoblit, com Bruce Willis e Colin Farrell - Guerra - 125 minutos - 2001. Por Eduardo Pinheiro eduardo@loucosporcinema.com.br |