O FILME: Muita expectativa se criou quando o consagrado Steven Spielberg anunciou que iria dirigir A.I., projeto do falecido diretor e grande amigo, Stanley Kubrick. Segundo Spielberg, realizar este filme seria uma forma de homenagear Kubrick, concretizando o grande sonho deste, ver a obra de ficção científica "Superbrinquedos Duram o Verão Inteiro" transformada em um longa cinematográfico, projeto que este pretendia dirigir, chegando a aguardar, pacientemente, durante anos, pela tecnologia que possibilitasse sua realização. | Para os fãs de ficção científica adulta, existencialista e complexa, A.I. é um programa obrigatório, com competente direção de Spielberg, um elenco muito bem selecionado, efeitos especiais e trilha sonora em sintonia com o clima pretendido (ambos indicados ao Oscar 2002) e um roteiro, do próprio diretor, até certo ponto, exemplar. A melhor coisa do filme é, sem dúvida, a atuação de Haley Joel Osment, digna de uma indicação ao Oscar, interpretando um papel dificílimo, que deve aparentar constantemente duas expressões distantes, a artificialidade (mais frio) e a humanidade (mais emotivo). Ele é David, um andróide adotado por um casal que está prestes a perder seu filho. Quando este milagrosamente se recupera, David é abandonado em uma floresta, iniciando uma jornada para se tornar humano, tornando-se uma espécie de 'Pinóquio cibernético', desejo que só poderá ser realizado pela Fada Azul. |
Dentre seus companheiros de viagem estão Teddy, um ursinho robô, espécie de mentor de David e o amigo Gigolô, Joe, um andróide amante, perseguido pela polícia por um crime que não cometeu. A.I. é espetacular em suas duas primeiras horas. Podemos ir até mais longe...É brilhante, uma obra de gênio digna de Kubric e que nos faz lembrar a fase áurea de Spielberg. Estas duas horas se encerram com um dos melhores finais do ano que passou, um desfecho deprimente, mas que se encaixa com perfeição com o filme. O problema é que Spielberg acrescenta, após este primeiro final, mais 30 minutos totalmente desnecessários, avançando muitos anos na história, com o objetivo de apresentar um novo mundo, totalmente dominado pela artificialidade, povoado apenas por robôs de última geração, extremamente evoluídos. | |
Até aí é válida a intenção do diretor, mas o que era para se tornar um momento mais reflexivo, torna-se piegas e emotivo, com o desnecessário reencontro entre David e sua mãe, o que faz com que este segundo final quase leve tudo por água abaixo. Parece um desfecho escrito às pressas e com o único objetivo de levar as platéias às lágrimas. Infeliz erro de Spielberg, mas que não tira o brilho de sua obra, apenas não se encontra em sintonia com suas duas primeiras horas. É uma legítima lição de como não se deve terminar um filmaço, ou melhor, um bom filme, pois enquanto não forem abolidos os últimos 30 minutos, nego-me a dar a A.I. seu devido valor. O DVD: Verdade seja dita, o DVD de A.I. é o melhor já lançado pela Warner! Pode até não possuir tantos extras quanto outros títulos, mas eles aparecem em boa quantidade e, principalmente, qualidade, além de todos virem legendados em português, o que já é razão para comemoração. | Até mesmo a tradicional embalagem de papelão (sempre muito discutida) foi trocada por uma de plástico que, ainda por cima, vem protegida por uma outra embalagem, esta sim de papelão, assim como a Columbia TriStar faz com seus principais lançamentos (vide "Final Fantasy"). Cada um dos discos possui um menu animado e musicado diferente, ambos muito bonitos. A imagem é excelente, principalmente nas cenas de Rouge City e da NY submersa, e o som não fica atrás, nítido e perfeito. O disco 1 possui uma espécie de introdução sobre o filme, com cerca de 12 minutos e intitulado "Criando A.I.", com Spielberg justificando a razão dele próprio ter resolvido dirigir A.I., além de servir como uma prévia dos extras que se encontram no disco 2. |
O segundo disco é um deleite para os admiradores de um bom DVD, trazendo os seguintes extras: "Atuando em A.I.", dividido em dois especiais intitulados "Um Retrato de David" (9 min) e "Um Retrato de Gigolô Joe" (6 min), sobre as escolhas de Haley Osment para interpretar o menino andróide e de Jude Law para interpretar o fiel amigo de David; "O Design de A.I.", também dividido em duas partes: "A.I. dos Desenhos aos sets" (7min30s) e "O Figurino de A.I.", ambos sobre o visual adotado pelos realizados para criar um mundo fictício mais real; | "A Iluminação de A.I." (4min30s), sobre o trabalho do diretor de fotografia; "Efeitos Especiais" (7min40s), especial que mostra as diferentes técnicas de efeitos visuais utilizados no filme; "Os Robôs de A.I" (13min40s), sobre criação e concepção dos diferentes robôs utilizados no filme; "Efeitos Visuais Especiais e Animação: ILM", outro especial, dividido em 5 categorias, denominadas: "Uma Visão Geral" (5min10s), "Os Robôs" (3min20s), "As Miniaturas" (4min15s); "As Seqüências em Nova York: Construção da Cena" (2min50s) e "A Animação de A.I." (8min10s), todos abrangendo os complexos efeitos visuais empregados no filme e como foram realizadas algumas das cenas mais fantásticas, como a de NY inundada e a criação dos robôs; | |
"O Som e a Música de A.I.", dividido em dois especiais: "Concepção de Som" (6min50s) e "Trilha Sonora" (5min50s), sobre o maravilhoso trabalho de sonorização, injustamente ignorado no Oscar 2002, e sobre a trilha indicada ao prêmio, composta por John Williams; "Steven Spielberg: Nossa Responsabilidade com a Inteligência Artificial" (2min30s), uma espécie de conclusão sobre o tema de A.I., apresentada por Spielberg, para que as pessoas tenham consciência e se responsabilizem pelos seus atos. Continuando, temos ainda "Os Arquivos de A.I.", com os 2 ótimos trailers de cinema (Caleidoscópio e Intralink), Storyboards, Portfólio do desenhista de produção, Chris Baker, e Portfólio do Design de Produção, mais outro Portfólio da ILM, além de fotografias da galeria de retratos, por David James e Steven Spielberg nos Bastidores. Encerrando, temos fichas do Elenco e dos Cineastas. Um produto muito caprichado. Só não é perfeito em razão da ausência de uma faixa de comentários em áudio, carência suprida, em parte, pelos ótimos especiais que abrangem praticamente todos os detalhes da produção. Parabéns para a Warner, o que nos faz aguardar ansiosos pelo lançamento de "Harry Potter e a Pedra Filosofal", "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" e "Onze Homens e Um Segredo" em belíssimos DVDs. A.I. - Inteligência Artificial, filme de Steven Spielberg, com Haley Joel Osment, Jude Law e Willian Hurt - Ficção Científica - 145 minutos - 2001. Por Eduardo Pinheiro eduardo@loucosporcinema.com.br |