O FILME: Para tentar salvar sua carreira, Sylvester Stallone resolveu apelar e embarcou nesta produção que, se chega a ter um começo promissor, logo sucumbe em razão de clichês que chegam a irritar os espectadores familiarizados com o gênero suspense. Agente Federal que caça assassino de policiais tem sua esposa morta pelo psicopata em represália da investigação que vem realizando para prendê-lo. Abalado com a perda da esposa, o agente torna-se alcoólatra e é internado em uma clínica de desintoxicação de uso exclusivo de policiais, localizada em uma região inóspita. Durante uma tempestade de neve, os pacientes da clínica começam a aparecer mortos, o que leva o agente a suspeitar que seu algoz está infiltrado no local para um último trabalho. | Logo que o filme inicia, somos apresentados a um Stallone mais humano, menos canastrão que de costume. Ainda temos boas cenas de suspense, acentuadas pela terrível metodologia do assassino em furar os olhos de suas vítimas. No momento em que o personagem de Stallone é internado na tal clínica, o filme vira uma sucessão de cenas desconexas e sem a menor lógica. Exemplo: em uma cena todos os pacientes são trancados em seus quartos, na cena seguinte ocorre um assassinato, e logo após já vemos os pacientes conversando entre si, sem maiores explicações - só para demonstrar as gritantes falhas de narrativa do longa. |
Minha sincera opinião sobre "D-Tox" é que é um legítimo suspense adolescente realizado para um público mais adulto, com um grupo de pessoas presas em um lugar com um assassino infiltrado entre os mesmos, matando um após o outro. Grande erro dos produtores foi chamar um especialista em filmes de suspense para jovens para dirigir o filme, Jim Gillespie, que realizou o sucesso "Eu sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado", certamente não foi a escolha mais acertada. Se tivesse um roteiro melhor trabalhado, um diretor de melhor prestígio toparia fazê-lo, pois a história possui algumas boas idéias, infelizmente desperdiçadas pelo diretor mais preocupado com a ambientação e com o visual do que com o roteiro. Aliás, desperdício é uma palavra constante neste filme, pois além de uma boa história, temos um bom elenco de atores conhecidos que são tratados como meros coadjuvantes do astro Stallone, que desperdiça uma boa oportunidade de dar a volta por cima, mesmo em um papel mais dramático e vulnerável. Como o filme nem foi lançado nos cinemas americanos, vai ter que suar muito ainda para recuperar o prestígio de outrora. | |
Se o filme chega a prender a atenção, é por causa da curiosidade do público em desvendar a identidade do assassino, mas nem esta chega a ser uma grande surpresa... Para piorar, a forma como Stallone desvenda o mistério, chega a ser o cúmulo do absurdo. Outro fator negativo é que o filme não procura, em momento algum, explicar o porquê dos atos do psicopata, sendo mais um serial-killer do cinema que prega a violência sem razão alguma que o motive. O DVD: Fraco DVD da distribuidora Universal, que costuma lançar primeiramente seus filmes exclusivamente para locação. O menu é estático e não musicado, reproduzindo a capinha do DVD. | A imagem e o som, sem dúvidas, são os grandes destaques do filme, principalmente em razão de uma fotografia propositalmente escura e da ambientação clautrofóbica utilizadas no longa. O disco possui apenas 3 extras: o trailer de cinema, uma montagem de imagens com a trilha sonora tocando, com direito a um tour de câmera pelos cenários e imagens dos atores em algumas cenas do filme. |
O extra de destaque fica sendo as cenas cortadas, uma inclusive que acho ter sido um erro magistral do editor em tê-la deixado de fora, um diálogo entre Stallone e o assassino, antes de descobrir que este realmente é, aonde o psicopata fala sobre as perdas de coisas que amamos, podendo até mesmo suprir a motivação do vilão para cometer seus crimes, algo que falta no filme. Dentre as demais cenas, não temos nenhuma relevante, sendo inclusive algumas delas estendidas e outras modificadas, como a do cadáver descoberto no lago de gelo (fizeram bem em tê-las deixado fora da metragem original). Fraco DVD de uma distribuidora que já teve melhores momentos, mas que se redime de qualquer pecado ao disponibilizar para os consumidores a sonhada "Coleção De Volta Para o Futuro", em um belíssimo BOX com a trilogia completa, que deve chegar às lojas e locadoras em 24 de setembro próximo. Este sim será um lançamento para deixar os colecionadores com água na boca. D-Tox, um filme de Jim Gillespie, com Sylvester Stallone, Charles S. Dutton, Dina Mayer, Tom Berenger e Kris Kristofferson - Suspense - 96 minutos - 2001. Por Eduardo Pinheiro eduardo@loucosporcinema.com.br |