O FILME: Se até há alguns anos o cinema francês era sinônimo de tédio, agora ele é sinônimo de frenesi. Primeiro tivemos o prazer de conferir a espetacular comédia romântica "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", e agora somos presenteados com o arrasador "O Pacto dos Lobos", uma aventura de ação que foi um enorme sucesso de público e crítica na Europa, mas que por aqui passou em brancas nuvens, algo, diga-se de passagem, normal em se tratando de mercado cinematográfico brasileiro e filmes de qualidade indiscutível. | Só o fato de ser um filme Francês deve ter, por si só, prejudicado sua carreira em nossos cinemas. Mas este filmaço que retrata de forma romanceada a lenda da Fera de Gevaudan, é um dos maiores espetáculos exibidos nos cinemas em 2002, e para aqueles que estão cansados da mesmice dos filmes de ação e das aventuras americanas, é uma grata surpresa. |
A história se passa em 1764, em uma província da França, denominada Gevaudan. É neste local que algo terrível está acontecendo, pois mulheres e crianças estão sendo devoradas por uma estranha criatura que, segundo os provincianos, não passa de um lobo desgarrado. Para investigar estes estranhos acontecimentos, o Rei francês envia para o local o jardineiro real e seu companheiro, um índio canadense. Os dois se envolverão em uma trama que envolverá os nobres de Gevaudan, a Santa Igreja Católica, a Corte Francesa, uma estranha e bela prostituta, e, sobretudo, uma criatura que pode ou não ser sobrenatural. | Dirigido com maestria pelo desconhecido Christophe Gans, do cult B "Combate - Lágrimas do Guerreiro", "O Pacto dos Lobos" é um tour de force do cineasta, um trabalho excepcional em todos os aspectos, com uma brilhante fotografia, uma trilha sonora singela (mas belíssima) e com uma direção de atores beirando a perfeição. Basta dizer que até mesmo o sub-astro das artes marciais, Mark Dacascos, dá conta do recado. | |
| Apesar de todas suas qualidades, "O Pacto dos Lobos" não é um produto feito para agradar a todos os públicos. Primeiramente por se tratar, até certo ponto de vista, de uma fantasia, segundo por ter nas suas cenas de ação lutas marciais, o que em um filme de época pode parecer meio forçado e, por último, por fugir dos rótulos aos quais estamos acostumados, como uma trama mastigadinha para o espectador entender tudo (algo que ocorre com cerca de 98% dos filmes de aventura/ação gringos). |
Trata-se de um filme em que se deve prestar atenção absoluta desde o primeiro minuto até os créditos finais, senão o espectador corre o risco de ficar literalmente boiando. De ruim, apenas o fato de a criatura digital não ser muito convincente e do fato da bela atriz francesa Emilie Dequenne não ganhar mais espaço. No mais, é um filme imperdível, mas que infelizmente será criticado por muitos de seus espectadores, aqueles mesmos que ainda curtem as bombas monstro dos Stallones e Van Dammes da vida e acham que programa sadio para seus filhos é assistir "Xuxa e os Duendes 2". Uma dica: abra sua mente, você não vai se arrepender! :-) O DVD: Tem algum fatos que ocorrem no mercado de DVD nacional que são inexplicáveis, como o lançamento de filmes como "Harry Potter e a Pedra Filosofal" e "Homem-Aranha" apenas me formato de tela mutilado Standard. | Há pouco tempo a elogiadíssima distribuidora Europa Filmes (que comercializava seus DVDs em ambos os formatos de tela) voltou atrás e resolveu lançar apenas em formato Standard... E o mais grave, no momento em que estava para lançar ótimos filmes como "O Pacto dos Lobos" e "Jogo de Espiões". |
Pelo menos o DVD vem com alguns extras, nada de extraordinário, mas já é alguma coisa louvável! O menu é musicado e animado, apresentando algumas gravuras que ganham vida. Seria mais bonito se tivesse uma melhor qualidade de imagem, mas pelo menos não é estático. A imagem, do meu ponto de vista, é uma decepção, percebe-se claramente que houve perda na qualidade com a transposição do Widescreen Anamórfico para o Standard. Felizmente as belíssimas cenas aéreas que percorrem Gevaudan ainda impressionam. O som é de ótima qualidade, claro que se o filme for assistido no idioma original, o francês. Quanto aos extras, eles aparecem em boa quantidade. Temos um sempre presente Trailer de cinema, o Trailer teaser e um TV Spot, todos legendados. Há uma razoável quantidade de entrevistas com os atores principais e com o diretor, nenhuma muito relevante, mas devidamente legendadas. | |
Temos ainda alguns textos explicando fatos sobre a lenda real da Fera de Gevaudan e Notas sobre o elenco e diretor. O melhor dos extras, sem sombra de dúvidas, é o Making Of de 11 minutos presente no disco. Apesar de curto, trata-se de um material abrangente sobre o filme. O que incomoda é que as cenas que aparecem durante o Making Of estão em widescreen, fazendo o espectador perceber claramente a melhora da qualidade de imagem se o filme viesse neste formato de tela. Infelizmente só resta lamentar... O Pacto dos Lobos, um filme de Crhistophe Gans, com Sanuel Le Bihan, Vincent Cassel, Emilie Dequenne, Monica Bellucci e Mark Dacascos. Aventura. 142 minutos. 2002. Por Eduardo Pinheiro eduardo@loucosporcinema.com.br |